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domingo, 21 de junho de 2015

Sou feminista e não odeio os homens


Costumo dizer que machismo é um conceito, uma ideia, que afeta todos os gêneros. Talvez com mais intensidade mulheres (cis) por termos uma convivência maior com os homens. Afinal, transamos, casamos e temos filhos com eles e assim eles passam a fazer parte das nossas vidas com mais intensidade que os demais gêneros e assim, as consequência em nós é mais presente. Mas os GLBTT também sofrem com isso. A homofobia nada mais é que mais uma faceta do machismo. Porém os próprios homens também sofrem esses efeitos, já que são obrigados a servir o exercito, a fazer a barba, não deixar o cabelo crescer, não usar brincos. 

Costumo brincar com meus amigos e dizer-lhes que a nossa luta (das mulheres) contra o machismo está muito mais adianta em relação à luta deles. Por exemplo: eu uso calças. E eles? Usam saias? Se soubessem como é bom usar saias não se privariam nunca disso.  

Logo, a luta contra o machismo não pode se restringir às mulheres. Deve ser uma luta de toda a humanidade, porque toda pessoa tem sua formação de gênero e todas elas sofrem com o machismo e de certa forma são reprodutoras deste, inclusive as mulheres, que muitas vezes em suas casas não permitem que homens se aproximem da cozinha, não cobram do homem que está ao seu lado a participação igualitária no cuidado da casa e dos filho ou quando tratam suas filhas diferente da maneira como tratam os meninos. 

Uma vez conheci uma boliviana que tinha um casal de filhos. A menina era tratada como uma escravinha e o menino como um reizinho. Até comida na boca (de um garoto de 8 anos) ela dava. Então questionei porque ela tratava o menino de um jeito e a menina de outro. Ela respondeu com a maior naturalidade: "Oras, porque ela é menina e ele é menino. No meu país homens trabalham fora, por isso devem ser melhor tratados para suportar o labor. Então eu respondi, que não sabia bem como era na Bolívia, mas estamos no Brasil, e aqui mulheres e homens trabalham. E muitas vezes as mulheres precisam se dividir entre o trabalho na fábrica e em casa. Nada mais justo que ambos dividam as tarefas. Lógico que recebi como resposta um: "os filhos são meus e eu cuido como quero". Ela não se portava assim porque era boliviana, até porque aqui mesmo muitas mulheres pensam e se comportam também assim, e creio que no mundo todo também seja assim. Mas, porque estão contaminadas com esse pensamento. Por isso antes de mais nada temos que arrancar o machismo de dentro de nós mesmos, dia-a-dia, nos policiando e pensando duas vezes antes de chamar uma loura de burra ou de uma mulher de vagabunda ou qualquer termo pejorativo. 

Já ouvi algumas feministas se dizerem contra homens e quererem tirá-los dos nossos debates, retirando-lhes inclusive a oportunidade de rever seus comportamentos e alimentando ainda mais o ódio. Elas não estão propagando o feminismo, mas um machismo reverso. Isso nada mais é que mais outra faceta do machismo. Não é repudiando os homens que vamos vencer o machismo, mas trazendo-os ao nosso lado para lutar pelas causas. Cada um com suas pautas. Claro não podemos permitir que eles decidam por nós em nossas causas, assim estarão empoderando-se de nossas lutas, mas podem perfeitamente nos apoiar e aprender conosco e também podemos aprender com eles muitas outras coisas. 

É na troca dialética que se faz a transformação, não na intolerância. 

2 comentários:

  1. Excelente texto sobre o machismo mundial.
    Triste saber que não é só na Bolívia que acontece essas coisas, aqui em SP a luta é igual.

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  2. Gratidão, amada! O importante é continuar seguindo nessa luta. Se queremos um mundo melhor para os nossos filhos, precisamos prepará-los para isso.

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