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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Relações abusivas. Isso não tem nada haver com amor.



No dia dos namorados vale a pena tratar de um assunto bem pertinente. Relações abusivas. Isso não tem nada haver com amor. Se vc estiver com uma pessoa com quem não se sente à vontade e que te cause constrangimentos, repense se essa relação realmente vale a pena! Não procure no outro aquilo que só vc pode dar a si mesmo! Amor é via de mão dupla. Se tudo só vai e não volta, não é amor é dispêndio e desgaste de energia psíquica. Lembre-se de se amar antes de tudo para não incorrer no erro de se amarrar à um cadáver para o resto da vida. Para se haver amor, antes de tudo deve-se haver respeito, cumplicidade, tesão, amizade, admiração, confiança. O amor é um construto de todos esses sentimentos. Não existe esse amor incondicional e de conto de fadas e é possível escolher sim a quem se ama. É só olhar do lado pra quem te valoriza e te respeita. Então, não caia nessa armadilha burguesa dos amores de castelos de areia. Vc não é uma princesa e príncipes encantados não existem! Se liga, miga! Depois de algumas transadas é possível que o príncipe se transforme em um sapo. Então não crie expectativas acima daquilo que puder esperar das pessoas pra não ter que ficar idealizando um boneco de farinha pra quando bater um pé de vento voar pra longe e te deixar a ver navios! E se vc estiver sozinha, gata, aproveita esse momento para amar a única pessoa desse mundo que mais merece o seu amor! Vc mesma.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Jogo da Vida

Esqueça dos teus ais!
De que vale se queixar da barreira que nunca existiu?
Sente-se saudades do que ficou,
não dos beijos nunca trocados,
dos olhares sem cumplicidade,
das mãos nunca tocadas,
dos silêncios sem verdades.
As coisas se dão por mistérios e desigualdades.
O que se espera é o que não virá.
O que se quer não se conseguirá.
Pare! Volte duas casas,
vinte se for preciso.
Não é desistir dos sonhos,
mas conciliá-los com a realidade.

Carta da Musa ao Poeta

Então, o poeta pergunta: "O que é o amor?"
Mas, se o amor só existe porque existe o poeta!
O poeta está para o amor, assim como o amor está para a poesia e a poesia para a essência do viver.
Então, o poeta pergunta: 
"Se é que ele existe, 
o que é o amor?"
- Oras, poeta, se eu pudesse te responder não me valeria de palavras. 
As palavras se dissolvem como o sólido, no ar. 
As palavras tem o dom da dubiedade, 
tanto podem esclarecer como enganar. 
As palavras nem sempre expressam sentimentos, 
às vezes se sente uma coisa, 
se pensa outra, 
e se fala ainda outra. 
Te responderia com o meu corpo,
porque o amor só sobrevive na dialética dos corpos;
Te responderia dando espaço em minha vida,
porque o amor só se constrói ou se destrói na dialética da convivência diária;
Te responderia com os meus olhos, 
porque neles está a minha essência de vida; 
Te responderia com meus pensamentos, 
pois são neles que o poeta vive a versar. 
Mas, como entre nós só existe a distância, poeta, 
Só estas palavras poderei te dar. 




Em homenagem a Luis Carlos Ruas, O Índio.

Pindorama,
Quem te fez Brasil
Não sabe a força que tens.
Não sabe dos teus ais,
Não sabe da tua loucura
E a de teus pais.
Vives nas Ruas
Vendendo mascate,
Bebendo cachaça,
Fazendo biscate.
Corres com o vento
Foges do rapa,
Tropeças no ódio,
Pra vender seus piratas.
Hoje é a Brasil
Que defendes a vida.
Bandeirantes bandidos
Fascistas facínoras
Aos chutes e socos
Te arrancam as viceras.
Olhos omissos
De covardes perversos
Assistem felizes
À barbárie e a morte
De quem teve a coragem
Somente de amar
em tempos de trevas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Paraíso, Consolação, Liberdade.



Escrito por: Alessandra Cavagna 

O primeiro encontro, deveras curioso, deu-se em situação semelhante.
Ela havia acabado de sair do escritório numa noite chuvosa. Permaneceu algum tempo sob o toldo de uma loja esperando a chuva passar. Sem sucesso. “Deveria ouvira mais vezes a mãe”. Lembrava-se daquela manhã ensolarada quando saia de casa e a mãe lhe barrou:
- Não vai levar o guarda-chuva?
- Pra quê? Está um dia lindo!
- Mas vai chover à tarde.
- Ai, mãe, que bobagem! O céu não dá nem sinal de chuva!
- Mas meu pé está quente e a marca da vacina coçando. Quando isso acontece é chuva na certa.
Não deu ouvidos às previsões maternas e agora estava lá, esperando a chuva passar.....................................................................................................................................................................................................................................e não passava.
”Deve ser praga de  mãe! Praga de mãe é como mandíbula de Pit Bull: quando pega não solta mais”.
- Ah, que se dane! Acabo com a chapinha do meu cabelo, mas encaro essa!
Atravessou a rua debaixo dos pingos, com seu taillerzinho azul-repartição-pública e seu scapin de pelica preto. Caminhou espremida entre os guarda-chuvas, que insistiam em passar sob as marquises dos prédios.
- Deveriam deixar as marquises para os desprevenidos e teimosos como eu!
De uma hora pra outra começou a coçar tudo: O nariz coçava, a garganta coçava, os olhos coçavam, e a coceira foi aumentando, aumentando até explodir em um espirro.
- Aaaaaaaaaatchin!
Desceu correndo as escadas rolantes do metrô Saúde e entrou no vagão. Não tinha lugar pra sentar. Tudo bem! Estava cansada de ficar o dia todo sentada naquele escritório. O grande problema de ficar em pé no metrô são os assédios. Vira e meche aparece um engraçadinho querendo bulir em nádega alheia.
Desceu no Paraíso pra fazer baldeação.

“Tinha que chover justo hoje!” . Ele pensava enquanto consultava insistentemente o relógio de pulso. Ia acabar perdendo o jogo do Corinthians. Não gostava de ir aos estádios porquê não gostava de muvuca, muito menos de torcida organizada. Assistiria ao jogo pela televisão, em casa, comendo pipocas. O problema é que em dias de chuva São Paulo se transforma no próprio inferno. Até chegar na Sé, fazer baldeação pra Zona Leste, esperar no mínimo três vagões passarem abarrotados de gente. Ir espremido, feito sardinha enlatada até Itaquera, esperar a lotação que demorava no mínimo quarenta minutos pra chegar perto da sua casa, e que só saia do ponto quando estava totalmente lotada, ou seja, um em cima do outro. Sem contar o transito e os trens que andam a passos de tartaruga sobre os trilhos em dias de chuva. Pelo jeito o único Corinthians que conseguiria ver naquela noite era o do letreiro do metrô.
Deveria ter ficado para assistir o jogo com os amigos no bar do Pedrão. Mas a grana tava curta e a dívida com o Pedrão longa. Se o dono do bar visse sequer a sua sobra passar pelo outro lado da rua, teria que agüentar a noite toda os resmungos e as cobranças da pior espécie. Melhor não.
Desceu as escadas do Paraíso e atravessou a catraca.

Parecia novela do SBT. Que coisinha mais piegas!
Ela saiu do vagão no mesmo instante em que ele entrava. A trombada foi inevitável.
Lição de física número um: Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Conclusão: O scarpin de pelica preto do pé direito caiu na vala do metrô.
- Não enxerga, não, idiota?
- Desculpe! É que...
- É que ninguém te avisou que esperasse o povo sair para poder entrar. Puta que o pariu! Como vou pra casa agora? Um pé calçado e o outro descalço. Culpa sua! Vai ter que me ressarcir!

O coitado não sabia onde esconder a cara. Enquanto isso ela berrava a plenos pulmões.
- Senhora! Vamos tentar resolver esta situação amigavelmente. Tem aqui próximo um shopping center. Vamos até lá e eu compro outro par de sapatos para a senhora.
”Teria que pendurar no cartão que já estava pra estourar, mas qualquer coisa era melhor que ouvir aquela mulher gritando em seu ouvido. Se fosse outro, já teria sumido no meio da multidão, deixando a pobre Cinderela sem seus sapatinhos. Mas este tipo de atitude ia contra os seus princípios”.
- Você acha que vou até o shopping nessas condições ridículas?
- Façamos o seguinte: eu vou até lá, compro um par de sapatos e trago-lhe aqui.
- Há, há, há, há, ha! Duvido que volte!
- Prometo! Qual seu número?
- Eu vou com o senhor. – Tirou o pé do scarpin que havia restado e atirou no lixo.
”Ai, ai, ai, ai! Só faltava aquela mulher querer escolher um par de sapatos que lhe custasse os olhos da cara”.
Caminhavam em direção à saída da estação, quando ele olhou-a discretamente, não o suficiente para que ela não percebesse.
- O que está olhando? Nunca viu ninguém andar descalça na chuva?
- Sabe que tem até um certo charme?
- Como?
- Digo...uma certa graça.
- O que disse? – E soltou mais um espirro.
- Vai se resfriar!
- Se eu morrer, juro que lhe processo.
“ Ainda por cima é louca!”
- Deveria fazê-lo carregar-me no colo até lá!
- Está me achando com cara de burro de carga?
- Talvez.
- A senhora está me ofendendo. Se continuar dessa maneira, largo-lhe descalça aqui mesmo e vou pra casa assistir o jogo do Corinthians. Faço-lhe um favor de lhe comprar um par de sapatos, e é assim que a senhora me trata?
- O único favor que eu gostaria que o senhor me tivesse feito era o de nunca ter aparecido em minha frente. Assim não estaria nesta situação... constrangedora.
Sentou-se na escadaria do metrô e começou a chorar feito uma criança que acabara de perder um brinquedo
– Que vergonha, meu Deus! Que vergonha! – “Nunca se imaginara em tal situação. Aquele homem tinha que aparecer em sua frente naquele instante e colocá-la em tal saia justa?...Ou melhor, sapatos justos?...Ou melhor, sem sapatos?”
Ele por sua vez perdeu toda a altivez que por instantes havia conquistado, ao ver aquela figura tão forte mostra-se tão fragilizada. Tirou um pacote de lenços de papel do bolso e lhe ofereceu.
- Obrigada!
E tornou a espirrar.
- Vamos resolver esta situação de uma vez por todas. Tenha calma. Eu vou ao shopping, compro os sapatos e lhe trago. A senhora não pode andar por aí assim. Qual seu numero?
- Trinta e sete. Mas não vá comprar um par de sapatos horrorosos, senão é possível que eu vá descalça mesmo pra casa.
- Sei que não me conhece, mas confie em mim, pelo menos um pouquinho. Não demoro.
Situação resolvida. Cada qual seguiu seu rumo. Ele para o seu Corinthians e ela para a Consolação.

Já havia se esquecido daquela cena dantesca quando anos depois se esbarraram novamente na mesma estação. Dessa vez ambos pegaram o mesmo vagão.
- Olá! Não a conheço de algum lugar?
- Já ouvi essa cantada mais de mil vezes. Que tal mudar o repertório.
- E por que eu iria cantá-la. Detesto mulher malcriada.
- E eu detesto homem entrão!
- Como vão os sapatos?
- Que sapatos? Aqueles medonhos que o senhor comprou?
- Pelo menos chegou em casa com os pés agasalhados.
- Eles já estavam agasalhados antes do senhor aparecer.
- Acha mesmo que fiz de propósito? Tanto tempo e ainda não me perdoou!
- Deveria?
- Por que não?
- ...
- ...
- ...
- Está indo pra onde?
- Pra liberdade.
- Eu também. Está morando lá agora?
- Mudei-me a pouco tempo! Você também está morando lá?
- Cansei de perder o jogo do Corinthians. Desculpe, mas ainda não nos apresentamos. Meu nome é Deodoro.
- Chamo-me Cecília.

E seguiram seus destinos.
Lição de física número dois: Dois corpos podem até ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, mas somente por algumas estações.





sexta-feira, 12 de agosto de 2016

(des) educação

A criança de poucos dias acabara de fazer sua refeição matinal e demonstava a sensação embevecida da saciedade do leite materno. A mãe que acabara de recompor o decote do vestido, tomou as criança ao colo de bruços e com leves tapinhas com as mãos em forma de conchinha, batia nas costas no pequeno esperando que arrotasse.
Satisfeita com o resultado, assim que o pequeno soltou um sonoro arrotinho, levou ao berço e ficou admirando seu princepezinho.
Lucas, agora com 7 anos, sentado à mesa saboreava deliciosa lasanha preparada pela mãe, com seus ingredientes favoritos: molho de tomate, carne moída, presunto e muito, mas muito queijo derretidinho. Adorava puxar bastante com o garfo até ficar só um filzinho, pegar no finalzinho e ir chupando devagarinho até chegar na ponta do talher onde estava o conteúdo principal: a preciosa lasanha. Satisfeito, se esticou na cadeira, bateu na barriga e soltou um estrondoso arroto. A mãe o olhou com estranheza e repreendeu.

- Que feio, Lucas! Não faça isso, que é falta de educação.

Costume dessa gente de ficar (des)educando filho! 





sábado, 16 de julho de 2016

Eros e Psiquê

O amor só sobrevive na dialética dos corpos
Precisa de movimento para respirar
E transformar as testes e antíteses em sínteses de prazer

O amor não suporta o estático e inabalável,
Não aceita convenções,
Não tolera preconceitos,
Não se insere em injustiças,
Não responde à determinismos,
Não comporta behaviorismos
Mergulha no inconsciente para resgatar libidos oprimidas pelo recalque.