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Prefiro a fúria dos "loucos" a hipocrisia dos "sãos"

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Elucubrações esfincteriana


Vocês já reparam como o cu é democrático? Observem: Nem todo mundo tem xoxota, nem todos tem pinto, mas todo mundo, independente da sua orientação de gênero, tem cu.
Pois bem, esse órgão tão desprezado por uns, tão demonizado por outros e tão idolatrado por tantos é parte da estrutura anatômica e funcional de todos. Porém, numa sociedade onde a cultura do pecado é imposta como única verdade absoluta, o que temos? Pessoas que não conseguem lidar muito bem nas relações no que se trata do próprio anus e do alheio, preferindo muitas vezes cuidar mais do cu do próximo do que dar mais atenção ao seu. Este fica lá, relegado ao descaso, como se não existisse. Mal é usado para sua função básica, como diria um político muito conceituado em proctologia: “como órgão excretor”. Fazem isso às escondidas, trancados no banheiro, tentando fazer o mínimo barulho possível, rapidamente, sempre com um “Glaide” próximo às mãos para livrar-se do cheiro e não deixarem ninguém perceber o ato hediondo que acabaram de cometer, em outras palavras, para alguns cagar é uma coisa imunda. Resultado disso: intestino preso e prisão de ventre. Tanto prendem, tanto prendem que na hora que é pra sair já não sai mais. Nem é preciso dizer que os laboratórios farmacêuticos são os que mais lucram com isso. E o que é pior, a merda sobe pra cabeça e então começa uma verdadeira diarreia mental. A bosta escorre pela boca e pela ponta dos dedos indo parar direto para as redes sociais. E fica um inferno de se aguentar tanto fedor.
Gente, vamos combinar uma regrinha básica entre nós: “Cada um que tem seu cu que cuide!” Assim poderemos viver todos felizes, sem preconceito, sem ódio e sem culpa.
O seu anus faz parte do seu corpo, lembre-se disso! Sendo assim ele é propriedade sua e só você pode decidir por ele. Não terceirize suas decisões a respeito dele! Não deixe que lhe digam o que fazer com seu próprio cu. Não se preocupem com o que bíblia pensa, com que o pastor da sua igreja pensa, com que seu vizinho pensa, com que sua mãe pensa, com que seus filhos podem pensar.  Quando estamos bem com nosso corpo e com nossas escolhas deixamos de nos incomodar com as escolhas das outras pessoas. Então se estiver de bobeira e bater aquela coceirinha de vontade de liberar a rosquinha, se for com carinho e respeito, qual o problema? No momento certo, lubrificando, com camisinha e com carinho pra não machucar, desde que @ parceir@ te respeite e respeite suas decisões. Isso quer dizer que se você não se sentir à vontade, não pense duas vezes antes de dizer não. Se @ parceir@ não respeitar e continuar insistindo está claro que não serve pra você. E é bom frisar que sexo sem consentimento é estupro, seja com desconhecido, com quem acabou de conhecer, com namorado, com marido, com amigo, com companheiro, ou seja lá com quem for. Essa dica serve pra tod@s. E as meninas que gostam de meninas:  mulher também tem dedos e no sex shop está cheinho de brinquedinhos de todos os tamanhos, cores e sabores para todos os gostos.  Agora se você já é dess@s  aproveite, relaxe e goze que a vida é uma só, meu bem! E você, machão, não é por causa disso que você precisa sair por aí dando o cu.  Deixe sua macheza de lado e aprenda a ser mais humano sensível e humilde e respeitar as mina, os gays, as lésbicas e as trans! Afinal como diria o Pepeu Gomes: “Ser um homem feminino não fere o (seu) lado masculino”.

Só não quero ouvir ninguém depois comentando: “ A Valquiria Regina mandou eu dar o cu pra conseguir cagar”. Me poupe, meu bem. Como na internet o que não falta é gente pra interpretar errado o que escrevemos, vou desenhar. O que eu quero dizer com isso é: Pare de fiscalizar o cu dos outros e cuide mais do seu. A humanidade agradece. 

Valquiria Regina 
Valgina para os íntimos
Sexóloga, bela, devassa e do mundo
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NoDerivatives 4.0 International License.

2 comentários:

  1. Essa "pre-ocupação" com o que é do outro, nada mais é, do que o MEDO de viver e entender o que é seu.
    São tantos (in)cômodos, na casa da consciência, que assombrações apavoram as possibilidades do novo.
    Aí vivem, repetindo e reproduzindo, achando que por isto vivem o certo, sem saber que além de reprimir o outro, deprimem-se comprimindo os espaços do auto conhecimento. O tempo é curto e a morte é a única verdade previsível.

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  2. Essa "pre-ocupação" com o que é do outro, nada mais é, do que o MEDO de viver e entender o que é seu.
    São tantos (in)cômodos, na casa da consciência, que assombrações apavoram as possibilidades do novo.
    Aí vivem, repetindo e reproduzindo, achando que por isto vivem o certo, sem saber que além de reprimir o outro, deprimem-se comprimindo os espaços do auto conhecimento. O tempo é curto e a morte é a única verdade previsível.

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